Declarar o Imposto de Renda para iniciantes pode parecer, à primeira vista, um bicho de sete cabeças, mas a verdade é que, com as informações certas e um pouco de organização, esse processo se torna muito mais simples do que a maioria das pessoas imagina.
Se você está aqui, provavelmente recebeu seu primeiro informe de rendimentos ou percebeu que sua renda aumentou e agora precisa prestar contas ao Leão pela primeira vez.
A sensação de insegurança é comum. Afinal, ninguém quer cair na temida “malha fina” ou pagar multas por erros bobos. No entanto, o sistema da Receita Federal tem se tornado cada vez mais intuitivo e automatizado.
Neste guia completo, vamos pegar você pela mão e explicar cada detalhe de como funciona o Imposto de Renda para iniciantes, desde quem é obrigado a declarar até o passo a passo para enviar sua declaração com sucesso.
Prepare o seu café, pegue um papel para anotar os pontos principais e vamos transformar essa obrigação anual em uma tarefa tranquila e sob controle.
O que é o Imposto de Renda e por que precisamos declarar?
Antes de partirmos para a prática, é fundamental entender o conceito. O Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) é um tributo federal cobrado sobre os ganhos de pessoas que residem no Brasil.
Ele incide sobre quase tudo o que você recebe: salários, aluguéis, prêmios de loteria, rendimentos de investimentos e até mesmo lucros na venda de bens, como um carro ou uma casa.
A lógica do governo é simples: quem ganha mais, paga uma porcentagem maior para ajudar no financiamento de serviços públicos essenciais, como saúde, educação e segurança.
A declaração anual, conhecida como Declaração de Ajuste Anual, serve justamente para “ajustar” as contas.
Ao longo do ano, você já paga imposto (geralmente retido direto no seu salário), mas a declaração serve para verificar se você pagou exatamente o que devia, se pagou a mais (e deve receber uma restituição) ou se pagou a menos (e precisa completar o valor).
Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda para iniciantes em 2026?
Este é o ponto onde a maioria das pessoas se perde, mas as regras são bem claras. Para o ano-calendário de 2025 (o ano em que você recebeu o dinheiro), a declaração que entregamos em 2026 exige que você preste contas se estiver em pelo menos uma das situações abaixo:
1. Rendimentos Tributáveis
Se você recebeu rendimentos tributáveis (salário, aposentadoria, aluguéis) cuja soma foi superior a R$ 33.888,00 no ano. Isso dá uma média mensal de aproximadamente R$ 2.824,00.
É importante notar que em 2026 entraram em vigor novas regras de isenção para quem ganha até R$ 5.000,00 mensais, mas isso impacta principalmente a retenção na fonte. Para a declaração de ajuste de 2026, olhamos para o que você ganhou no ano anterior (2025).
2. Rendimentos Isentos ou Tributados Exclusivamente na Fonte
Se você recebeu mais de R$ 200.000,00 em rendimentos que não pagam imposto (como indenizações trabalhistas, rendimentos da poupança ou heranças) ou que são tributados apenas na hora que você recebe (como o 13º salário e rendimentos de aplicações financeiras).
3. Ganho de Capital e Bolsa de Valores
Se você vendeu um bem com lucro (como um imóvel) ou se realizou operações na Bolsa de Valores (ações, fundos imobiliários) cuja soma das vendas foi superior a R$ 40.000,00 no ano ou que tiveram apuração de lucro tributável.
4. Atividade Rural
Para quem vive do campo, a obrigatoriedade vem se a receita bruta anual da atividade rural foi superior a R$ 169.440,00.
5. Posse de Bens
Se em 31 de dezembro de 2025 você era dono de bens (carros, casas, terrenos, joias) que, somados, valem mais de R$ 800.000,00.
Nota importante: Mesmo que você não seja obrigado, às vezes vale a pena declarar para recuperar o imposto que foi retido do seu salário durante o ano. Se você teve imposto retido na fonte em algum mês, mas sua renda anual ficou abaixo do limite, declarar é a única forma de receber esse dinheiro de volta através da restituição.
Documentação necessária: Organize-se para não errar

A maior causa de erros no Imposto de Renda para iniciantes é a falta de documentos ou o preenchimento de valores errados. A Receita Federal cruza os dados que você informa com os dados enviados por bancos e empresas. Se os números não baterem, você vai para a malha fina.
Para evitar isso, crie uma pasta (física ou digital) e reúna os seguintes itens:
- Informes de Rendimentos: Sua empresa é obrigada a fornecer esse documento. Nele consta tudo o que você ganhou e quanto de imposto já pagou.
- Informes de Bancos e Corretoras: Acesse o aplicativo do seu banco; geralmente há uma seção específica chamada “Imposto de Renda” ou “Informe de Rendimentos”.
- Comprovantes de Despesas Médicas: Notas fiscais de consultas, exames, dentistas e hospitais. Guarde tudo, pois esses gastos podem diminuir o valor do imposto a pagar.
- Comprovantes de Educação: Recibos de mensalidades escolares (ensino fundamental, médio, superior ou pós-graduação). Cursos de idiomas ou de informática não contam aqui.
- Dados de Dependentes: Se você for incluir filhos ou pais como dependentes, precisará do CPF de cada um deles, independentemente da idade.
- Documentos de Bens: Se comprou ou vendeu um carro ou imóvel em 2025, tenha em mãos o contrato ou documento de transferência com os dados do comprador/vendedor (nome e CPF/CNPJ).
Declaração Simplificada vs. Completa: Qual escolher?
Ao começar a preencher o programa da Receita, você se deparará com essa escolha. Não se assuste, o próprio programa costuma mostrar qual opção é mais vantajosa para o seu bolso.
Declaração Simplificada
Neste modelo, a Receita aplica um desconto padrão de 20% sobre os seus rendimentos tributáveis (limitado a um valor máximo estipulado anualmente, cerca de R$ 17.640,00).
É a melhor escolha para quem não tem muitas despesas para deduzir, como pessoas solteiras, sem dependentes e que não tiveram muitos gastos com saúde ou educação no ano.
Declaração Completa
Aqui, você detalha cada gasto permitido por lei (saúde, educação, previdência privada, dependentes). É indicada para quem tem gastos dedutíveis que, somados, ultrapassam o desconto padrão de 20% da declaração simplificada.
Famílias com muitos dependentes e altos gastos médicos geralmente economizam mais dinheiro por este caminho.
Passo a passo prático do Imposto de Renda para iniciantes
Agora que você já entendeu a teoria e organizou os papéis, vamos colocar a mão na massa. O processo de declaração em 2026 pode ser feito de três formas: pelo computador (programa IRPF), pelo celular (app Meu Imposto de Renda) ou direto no navegador (portal e-CAC).
Passo 1: Escolha a sua plataforma
Para quem está começando, o Programa Gerador de Declaração (PGD) para computador ainda é a ferramenta mais completa e segura. Baixe-o diretamente no site oficial da Receita Federal.
Passo 2: Use a Declaração Pré-Preenchida
Essa é a “dica de ouro” para o Imposto de Renda para iniciantes. Se você tem uma conta Gov.br nível Prata ou Ouro, pode iniciar sua declaração com quase todos os campos já preenchidos.
A Receita busca os dados que as empresas e bancos já enviaram e coloca no sistema para você. Sua única tarefa será conferir se tudo está certo e adicionar o que faltar. Isso reduz drasticamente as chances de erro.
Passo 3: Preencha as fichas principais
Se não usar a pré-preenchida, você seguirá esta ordem lógica:
- Identificação: Seus dados pessoais.
- Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica: Copie exatamente o que está no informe da sua empresa.
- Bens e Direitos: Liste seu saldo bancário (se for acima de R$ 140,00), seu carro, sua casa, etc.
- Pagamentos Efetuados: Onde você insere os gastos com médicos e escolas.
Passo 4: Verifique as Pendências
Antes de enviar, clique no botão “Verificar Pendências” (ícone de um triângulo com exclamação). O programa avisará se você esqueceu algum campo obrigatório (erros vermelhos impedem o envio, avisos amarelos são apenas alertas).
Passo 5: Envie e guarde o recibo
Tudo certo? Clique em “Entregar Declaração”. O sistema gerará um Recibo de Entrega. Salve esse PDF em um local seguro; você precisará do número dele para retificar (corrigir) algo no futuro ou para baixar a declaração no ano que vem.
As novidades e a tabela de 2026

O ano de 2026 trouxe mudanças significativas que beneficiam o trabalhador. A principal delas é o aumento da faixa de isenção. O governo implementou uma política de desoneração que visa isentar quem ganha até R$ 5.000,00 por mês.
Contudo, é crucial entender um detalhe técnico: essa isenção total de R$ 5.000,00 aplicada em 2026 refere-se ao imposto que é descontado do seu salário mês a mês em 2026. Na declaração que você faz agora, no início de 2026, estamos olhando para o que você ganhou em 2025.
Tabela Progressiva Mensal (Base para 2026):
| Base de Cálculo (R$) | Alíquota (%) | Parcela a Deduzir (R$) |
| Até 2.428,80 | Isento | 0 |
| De 2.428,81 até 2.826,65 | 7,5% | 182,16 |
| De 2.826,66 até 3.751,05 | 15% | 394,16 |
| De 3.751,06 até 4.664,68 | 22,5% | 675,49 |
| Acima de 4.664,68 | 27,5% | 908,73 |
Além disso, para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, foi criado um mecanismo de redução gradual do imposto, evitando que um pequeno aumento salarial resulte em uma mordida proporcionalmente maior do Leão.
O que são as Deduções e como elas ajudam você?
As deduções são “descontos” que a lei permite para diminuir a sua base de cálculo. Imagine que você ganhou R$ 50.000,00 no ano. Se você não tivesse nenhuma despesa, pagaria imposto sobre esses R$ 50.000,00. Mas, se você gastou R$ 5.000,00 com um plano de saúde, a Receita entende que você deve pagar imposto apenas sobre R$ 45.000,00.
No universo do Imposto de Renda para iniciantes, as deduções mais comuns são:
- Dependentes: Cada dependente reduz um valor fixo da sua base de cálculo (aproximadamente R$ 2.275,08 por ano).
- Saúde: Não há limites para gastos com saúde! Consultas particulares, exames e internações podem ser deduzidos integralmente, desde que você tenha o recibo.
- Educação: Existe um teto anual (cerca de R$ 3.561,50). Se você gastou R$ 10.000,00 na faculdade, só poderá abater os R$ 3.561,50.
- Previdência Privada: Contribuições para o modelo PGBL podem deduzir até 12% da sua renda tributável anual. O modelo VGBL não tem esse benefício.
- Pensão Alimentícia: Se você paga pensão por decisão judicial ou escritura pública, o valor é totalmente dedutível.
Restituição: O momento esperado
Se após preencher tudo, o programa mostrar um valor em “Imposto a Restituir”, parabéns! Isso significa que você pagou mais imposto do que o necessário durante o ano e a Receita Federal vai te devolver esse dinheiro.
A restituição é paga em lotes, geralmente entre maio e setembro. Quem envia a declaração mais cedo, costuma receber nos primeiros lotes. Outro fator que acelera o recebimento é optar por receber via PIX (desde que a chave seja o seu CPF) ou utilizar a declaração pré-preenchida.
Fique atento: o dinheiro cai na conta bancária que você informar no final do preenchimento. Certifique-se de que os dados bancários estão corretos para não ter dores de cabeça.
Erros comuns que levam à Malha Fina
Para um guia de Imposto de Renda para iniciantes, é vital listar as “armadilhas” onde muitos caem:
- Omitir rendimentos de empregos antigos: Se você mudou de emprego em 2025, precisa declarar os ganhos das duas empresas.
- Esquecer rendimentos dos dependentes: Se você incluiu seu filho como dependente e ele faz um estágio, o rendimento dele também precisa ser declarado.
- Informar valores diferentes do informe: Se o banco disse que você tinha R$ 1.000,50 e você escreveu R$ 1.000,00, o sistema pode travar sua declaração por essa diferença de centavos.
- Confundir PGBL com VGBL: Declarar VGBL na ficha de pagamentos para tentar deduzir imposto é um erro clássico que leva direto para a malha fina.
Você está pronto para declarar!
Chegamos ao fim deste guia e espero que o Imposto de Renda para iniciantes não pareça mais um monstro escondido embaixo da cama.
Declarar é um exercício de cidadania e, acima de tudo, de organização financeira pessoal. Ao reunir seus documentos e entender para onde vai o seu dinheiro, você ganha mais consciência sobre sua própria vida financeira.
Lembre-se: a tecnologia hoje está a seu favor. Use a declaração pré-preenchida, confira os dados com calma e não deixe para a última hora.
O prazo final costuma ser 31 de maio, mas quem se antecipa evita congestionamentos no sistema e garante a restituição mais cedo.
Você tem total capacidade de realizar essa tarefa sozinho. No próximo ano, com certeza você já estará fazendo isso de olhos fechados!
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